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Seu projeto realmente precisava de Next.js?

28 de fevereiro de 20263 min de leitura
Next.jsTanstackReactFrontend ArchitectureWeb Development

Nos últimos meses tenho visto cada vez mais relatos de times migrando projetos de Next.js para TanStack. Casos como o da Inngest, que reduziu o tempo de dev local em 83%, o da OpenPanel e o da Documenso são cada vez mais comuns. E toda vez que leio um desses relatos, não consigo parar de pensar: será que Next foi realmente a escolha certa desde o começo?

Não me entendam mal. Eu conheço os problemas desde a migração do Pages Router para o App Router, o impacto que isso teve na experiência de desenvolvimento, as discussões sobre lock-in com a Vercel e até algumas questões de segurança que surgiram no caminho. Mas talvez o ponto principal não seja "Next é ruim". Talvez o ponto seja outro: será que a maioria desses projetos realmente precisavam usar Next?

O que Next.js realmente é

Next é, primeiramente, um framework opinativo pra construção de aplicações React com um foco imenso em renderização no servidor. Ele foi pensado pra SSR, ISR, SSG e toda essa sopa de letrinhas que a Vercel ajudou a popularizar. A proposta inicial sempre foi muito clara: pré-renderizar ao máximo, servir HTML pra otimizar SEO, reduzir tempo de carregamento e entregar uma experiência extremamente performática após o build. No cenário ideal, você gera páginas estáticas, invalida cache quando necessário, e entrega páginas mais performáticas.

Exemplos de uso quase perfeitos para isso são:

  • Blogs
  • Portais de notícia
  • Landing pages
  • Marketplaces com catálogo público
  • E-commerces com foco em SEO

Ou seja: produtos onde o conteúdo pode ser pré-renderizado e o SEO é extremamente necessário pro sucesso.

Quando a escolha não faz sentido

O problema começa quando pegamos essa ferramenta, pensada pra server-side, e aplicamos em sistemas totalmente dinâmicos e dependentes do client.

  • Sistemas internos com muita interatividade
  • Aplicações com múltiplos filtros, modais, estados locais complexos e atualizações frequentes de dados.
  • Produtos onde praticamente tudo depende de quem está logado e do que ele acabou de fazer.

Nesses casos, quase nada pode ser gerado estaticamente. O SEO não é prioridade. O HTML pré-renderizado não tem importância. O que realmente importa é controle de estado e interatividade.

Onde o TanStack se encaixa

E é aí que entra o TanStack.

TanStack segue um modelo muito mais próximo de uma SPA tradicional, com SSR como opt-in, não como premissa arquitetural. O fluxo padrão é simples: rota, query, mutação, invalidação.

Não existe a mesma preocupação constante sobre se um componente deve ser server ou client side. A aplicação nasce essencialmente como client, e o uso de server rendering é uma decisão consciente, não o ponto de partida.

Talvez o que esteja acontecendo agora não seja uma "rejeição ao Next". É só o reflexo da escolha do framework do momento ao invés de escolhas pensando em arquitetura e produto (farpas ao React que tem concorrentes que entregam soluções melhores de forma mais elegante, mas isso é papo pra outro post).

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Sumario

  • O que Next.js realmente é
  • Quando a escolha não faz sentido
  • Onde o TanStack se encaixa

>_ jrdan.dev

Engenheiro de software pleno com experiência em desenvolvimento full-stack, infraestrutura em nuvem e otimização de sistemas.

Belo Horizonte, Brazil

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